Psicopedagogia / 13 de novembro de 2016

Autoridade x Autoritarismo

Escrever no blog é uma terapia e o faço com muita dedicação e gosto. Mas vamos ao que interessa! Percebi que o assunto pertinente a prática e vivência, desperta bastante interesse e por isso resolvi reunir 5 dicas, sugestões ou até caminhos de como lidar com criança ou adolescente no que compete a relação de autoridade.

Vejamos bem, a relação de autoridade é crucial para a relação entre pai e filho, professor e aluno e por aí vai, mas é importante distinguir e separar duas palavras que possam soar parecidas e no entanto são completamente diferentes: autoridade e autoritarismo.

Autoridade diz respeito a relação de hierarquia, de respeito, a alguém que sabe mais que você por experiência, conhecimento de mundo ou idade. A relação de autoridade predispõe a também relação de obediência, sendo esta declarada como a práxis de obedecer aos comandos e na relação de instrução para com o aprendente, como no caso típico de um professor ajudando o aluno a amarrar os cadarços. Os estímulos orais são dados, depois vem os exemplos a serem seguidos, o professor amarra os seus cadarços mostrando ao educando como fazer, depois bastante treino e por último o momento em que a criança consegue realizar sozinho e sente-se orgulhoso com o ocorrido, elevando a sua autoestima no nível máximo.

A autoridade por sua vez estabelece uma relação de respeito mútuo com seu pupilo e este passa o admirar pelas trocas de aprendizado estabelecidas. O professor, o pai, ou qualquer responsável pela criança ou adolescente precisa dialogar com ele ou ela estabelecendo o certo e o errado através dos exemplos próprios e de situações reais para que o indivíduo perceba e pratique com o próximo.

Já o autoritarismo, nada tem a ver com a relação de autoridade, pois nesse caso observa-se um caso de
submissão do comandado pelo comandante. Onde o respeito e a autoridade do experiente sobre o outro não aparecem. A obediência é trajada pela hierarquia pura e absoluta sem qualquer pretensão da troca relacional. Mas fazer com que o outro seja alijado de qualquer processo educacional. O comandado passa a executar as ordens de forma mecânica sem ao menos criticá-las e ou questioná-las através de um diálogo aberto e maduro. O ato mecânico tem a ver com a prática condicionada de movimentos para atingir um resultado e muitas vezes esse resultado é esvaziado de experiências estimulantes, pelo contrário, podem até ser desmotivantes.

Esclarecido os dois conceitos podemos partir para as cinco dicas a seguir. Para isso iremos partir do pressuposto da utilização de dois termos: aprendente para designar a criança, adolescente ou jovem e responsável para designar o professor, pai, mãe ou entes.

5 DICAS

  • O aprendente necessita ter respeito pelo seu responsável, compreendendo-o como autoridade na área relacional.
  • O responsável e o aprendente precisam ter estabelecido relação de vínculo afetivo e social para o respeito e a admiração acontecerem mutuamente.
  • O responsável e o aprendente precisam se entender na troca de olhares, indicando estar no caminho certo, errado ou duvidoso.
  • O responsável precisa respeitar os limites do aprendente, não fazendo muitas exigências e nem o hiperestimulando.
  • Ambos necessitam buscar uma zona de equilíbrio.

O aprendente desde cedo consegue identificar na própria família ou escola quem é a autoridade, porque a ela é destinada o papel de liderança e de conduzi-lo às regras e normas, sempre atento e vigilante. O aprendente, como o nome já diz, está sujeito ao aprendizado, as tentativas de acerto e erro e as lições apreendidas. O responsável não deve fazer por ele e sim ajudá-lo quando necessitar de auxílio. Uma vez apresentado, explicado, proposto e reapresentado o objeto do conhecimento ao aprendente, este por sua vez deve experiênciá-lo e assimilá-lo até total acomodação para se apropriar do que o objeto de conhecimento o trouxe. E a cada novo aprendizado, mais desafios e estímulos novos deverão ser lançados. Respeitando sempre as habilidades e os níveis de competência do aprendente.

Exemplo:

Andar de bicicleta – Em um primeiro momento a criança poderá iniciar brincando em um velocípede (por volta de dois anos de idade) que o trará estabilidade por sua altura ser próxima do chão, ela terá contato com os pedais e o movimento característico de que os movimentos coordenados de pernas para frente e para trás nos pedais fazem o velocípede andar e a coordenação motoras dos braços, especificamente das mãos e pulsos no volante conduzem o pequeno veículo para direita e esquerda. Após bastante brincar no velocípede é chegada a hora da bicicleta (por volta de cinco anos de idade) que num primeiro momento causa na criança um misto de ansiedade e medo pelo desconhecido. Passado essa barreira, a criança dá início a atividade de andar de bicicleta, de rodinha. Primeiramente o veículo em si exige da criança um grau maior de segurança e autonomia, pois a bicicleta já é um pouco mais distante do chão, é mais pesada, daí se faz a importância de equipamentos de segurança: capacete, joelheiras e cotoveleiras. Quando o aprendente está praticando há tempos na bicicleta com duas rodinhas e realizando todos os movimentos sem dificuldades, poderá ser o momento de retirar o apoio de uma rodinha. Mas antes disso o aluno precisa estar conseguindo se apoiar em um lado só com o auxílio do corpo, mais precisamente das pernas e ou tentando tal processo uma vez que sua bicicleta conta com o suporte de uma rodinha ainda. Logo depois de mais um tempo, o aprendente já está se equilibrando com o corpo, definido bem a lateralidade (direita e esquerda) e equilíbrio, o aprendente estará pronto para andar de bicicleta utilizando para isso nenhuma rodinha, apenas o movimento de seu próprio corpo, buscando equilíbrio, driblando os obstáculos, administrando velocidade média na sua corrida ou no seu passeio rumo ao seu objetivo.

Vejamos com esse exemplo gigante e fácil como andar de bicicleta que o aprendente necessita trabalhar a sua autonomia, segurança, equilíbrio, autoconfiança para ter gosto pelo que consegue e é capaz de fazer, sempre respeitado os seus limites. Pode ser que uma criança irá necessitar de um suporte por mais tempo ou até mesmo de uma adaptação para atingir o seu objetivo, mas desde que participe do seu processo de aprendizagem, atue minimamente mas atue. O responsável precisa ter ciência de que o aprendente é como um barco e o responsável, o seu porto. O barco vai mas volta, enfrenta as ondas, que são as dificuldades, mas retorna.

Pai, Professor, seja o farol ou o porto, mas nunca a âncora do barco!

 

 

 

 

 

 






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