AUTISMO – Breve Histórico

Autismo e suas variáveis

Falar de autismo ou melhor sobre TEA (Transtorno do Espectro do Autismo) é falar sobre a minha jornada profissional. O autismo sempre foi e ainda é uma escola para mim.

Desde a minha primeira experiência, ainda no estágio, me deparei com uma criança com interesses extremamamente particulares. Adorava recitar salmos bíblicos e tinha oscilações de humor muito intensas, que iam do carinho (abraços e beijos intermináveis) à reações auto e hetero agressivas.

Barulhos intensos, texturas, aglomerações, causavam-lhe grande perturbação, a ponto de aumentar as suas estereotipias e se desorganizar completamente, necessitando de intervenção da equipe para acalmá-lo e organizá-lo novamente.

Tal comportamento me inquietava muito. Queria ajudá-lo mas não sabia como. Isso mexeu comigo desde então, pois a partir dali eu tinha certeza, intuitivamente, que tinha encontrado uma missão, só não sabia qual.

O autismo nesta época ainda era conhecido como TID/TGD(Transtorno Invasivo/ global do Desenvolvimento) e não havia a disseminação de informações como temos hoje.

Dez anos depois, ainda tenho esta lembrança latente em minha memória e muita bagagem de divers os casos e famílias que muito me ensinaram a ser uma pessoa e profissional melhores a cada dia.

O autismo é puro, ingênuo, instiga a sua autoreflexão sobre questões que são corriqueiras em nossa vida (mudança de rotina, imprevistos, mentiras, bullying, sarcasmo, ironias, metáforas).

A forma de pensar deles é estruturada, organizada e com script meramente calculado para conseguir conviver em sociedade que obriga a todo instante olhar nos olhos, andar e se comportar de forma “padrão”.

Enquanto ser humano precisamos mergulhar no universo autístico, pois sairemos limpos. Enquanto terapeutas precisamos ensiná-los a colocar armaduras para que eles não saiam tão machucados.

Após esta reflexão atentemos a um breve relato sobre o histórico do autismo.

Autismo foi utilizado pela primeira vez em 1911 por Eugene Bleuler para designar perda de contato com a realidade e dificuldade ou ausência de comunicação, sintomas estes encontrados em quadros de esquizofrenia.

Já em 1943, Leo Kanner descreveu em um artigo intitulado: disturbios autisticos de contato afetivo, caracterizando como “isolamento extremo, tendência à mesmice, estereotipias e ecolalia”.

E em 1944, Hans Asperger publicou a tese de doutorado, na qual descreveu e empregou o termo autista. Que assim como Kanner, descreveu crianças com habilidades cognitivas irregulares, habilidades extraordinárias ( memória e visual). Ambos consideraram o quadro de psicose.

Somente em 1987, no DSM III (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos mentais) que autismo saiu do quadro de psicose passando a integrar o quadro de transtorno do desenvolvimento.

Na década de 90 a relação autismo e deficiência mental toma força, pois entre 70 a 86% dos quadros de autismo apresentava déficit cognitivo.

Em 1993 no CID 10 ( Classificação Internacional de Doenças) enquadra o autismo como transtorno global do desenvolvimento.

Somente em 2000 foi publicado o DSM IV a tríade autística: déficits na interação social; comunicação verbal e interesses restritos e estereotipados.

Em 2013, com o DSMV, os três domínios passaram a ser dois: deficiências sociais e de comunicação; interesses restritos, fixos e intensos e comportamentos repetitivos. E recebe o título de TEA (Transtorno do Espectro do Autismo) dividido em níveis 1,2,3, variando o grau de suporte social acadêmico e adaptativo.

Referencia Bibliográfica:

Analise do Comportamento Aplicada ao transtorno do espectro autista. Ana Carolina Sella, Daniela Mendonça Ribeiro (orgs). Curtitiba: Appris, 2018.

Para uma avaliação aprofundada dos sintomas necessita da atuação da equipe multidisciplinar (médico/a, fonoaudióloga/o, psicopedagoga/o, ABA, psicóloga/o- principalmente para o atendimento aos cuidadores; terapia ocupacional com foco em integração sensorial) pois o TEA de base genética é um transtorno comportamental e uma observação clinica integrando escola e familia, precocemente, pode melhorar e muito o prognóstico.

No post anterior detalhamos a importância da intervenção precoce e seus benefícios para a redução ou até a quase extinção dos sintomas.

Precisamos estar atentos aos marcos do desenvolvimento (período de aquisicao de determinadas habilidades) que estão em atrasos e
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Espero que tenham gostado deste texto. Há muitos outros abordando partes específicas do transtorno.

Não deixem de comentar, compartilhar e sugerir novas temáticas.

Grande beijo a todos e cuidem-se!

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